Psicologia do Luto

O luto é um processo individualizado, que passa por vários estados emocionais, vivido de forma mais ou menos intensa ao longo de semanas, meses ou até anos.

Durante o luto é normal sentir dores no corpo?

 Sentir manifestações físicas da dor e da perda poderá ser normal, tornando-se por vezes visível nas alterações no apetite, nas disfunções do sono, em quebras de energia e até dores corporais.

Quais as fases pelas quais se passa durante o luto?

 Ultrapassar uma situação de luto comporta cinco fases, vividas de forma mais ou menos longa, consoante a estrutura psíquica de cada pessoa: Negação, RaivaNegociação, Depressão e Aceitação.

Porque não acredito que aconteceu?

 A primeira fase da negação, a pessoa nega a existência do problema ou situação. Pode não acreditar na informação que está a receber, tentar esquecê-la, não pensar nela ou ainda procurar provas ou argumentos de que ela não é a realidade.

Sinto raiva, porquê?

 A Raiva: Será a segunda fase do processo de luto, a pessoa expressa raiva por aquilo que ocorre. É comum o aparecimento de emoções como revolta, inveja e ressentimento. Geralmente essas emoções são projetadas no ambiente externo; percebendo o mundo, os outros, Deus, etc. como causadores de seu sofrimento. A pessoa sente-se inconformada e vê situação como uma injustiça.

Quero ser como antes. O que faço?

 Esta sensação é a terceira fase da passagem pelo luto, negociação, em que se procura fazer algum tipo de acordo de maneira que as coisas possam voltar a ser como antes. Essa negociação geralmente acontece dentro do próprio indivíduo ou às vezes voltada para à religiosidade. Promessas, pactos e outros similares são muito comuns e muitas vezes ocorrem em segredo.

Porque sinto um sofrimento profundo?

 Quando surgem os sintomas da depressão, normalmente é numa quarta fase do processo de luto, em que corre um sofrimento profundo. Tristeza, desolamento, culpa, desesperança e medo são emoções bastante comuns. É um momento de grande introspeção e necessidade de isolamento.

Quando irei aceitar que faleceu?

 Será a última fase do processo de luto, a aceitação, onde se percebe e vivencia-se uma aceitação do rumo das coisas. As emoções não estão mais tão à flor da pele e a pessoa prontifica-se a enfrentar a situação com consciência das suas possibilidades e limitações.

Quais os passos para superar o luto?

As pessoas não passam pelas cinco fases do luto (Negação, Raiva, Negociação, Depressão e Aceitação) de maneira linear, elas podem superar uma fase, mas depois regredir, estacionar numa delas, sem ter avanços por um longo período ou simplesmente não fazer o luto. Não há regra. Tudo depende do histórico de experiências da pessoa e crenças que ela tem sobre si mesma e sobre a situação em questão. Perante qualquer uma destas situações, é aconselhável procurar ajuda de um profissional habilitado, que poderá fornecer um suporte emocional e planear, em conjunto com a pessoa, comportamentos alternativos mais saudáveis.

Como posso ajudar os outros a lidar com o luto?

  • Ser um bom ouvinte. É importante saber ouvir o outro, sem questionar os seus sentimentos e pensamentos. Não se preocupe com o que precisa de dizer, concentre-se apenas no que o outro está a dizer.
  • Estar presente. A sua presença será certamente importante no processo de luto do seu amigo ou familiar, minimizando a sua dor. Estar presente é sem por isso, invadir o espaço de que o outro possa necessitar para gerir a sua dor e ultrapassar cada fase.
  • Não minimizar a perda do outro. É importante não desvalorizar a perda e o sofrimento do outro; procure evitar frases cliché que procuram oferecer soluções simples para problemas difíceis.
  • Partilhar os seus sentimentos. Por vezes, a partilha dos nossos próprios sentimentos e experiências poderá aliviar o sofrimento do outro, identificando-se connosco. Mas nunca se esqueça que o luto é vivido de forma individual e única; a sua experiência pode ajudar mas não ditará a forma como o outro irá lidar com a sua perda.

Como ajudar as crianças a lidar com a perda?

As crianças, também, precisam de uma rede de apoio que as ajude a compreender e a lidar com o seu próprio luto. Falar da morte com as crianças. Não será fácil, mas é importante que um adulto esteja disponível para confrontar, explorar e aprender com o seu próprio processo de luto e, consequentemente seja capaz de ajudar as crianças no seu próprio processo. Isto ajudará as crianças a formarem uma atitude saudável relativamente às questões da vida e da morte. Elas precisam dos adultos para saberem que é normal estar triste e chorar, e que a dor que estão a sentir não durará para sempre.

Como responder às perguntas de uma criança quando alguém morre?

 Quando alguém morre, os adultos devem responder às perguntas de crianças de uma forma paciente e com uma linguagem que eles entendam. É natural que as crianças façam as mesmas perguntas vezes sem conta, mas isto ajuda-as a compreender a morte.